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| Miguel Jabur de S.S |
Difícil responder essa pergunta quando se analisa sob a ótica marxista o conceito “bem comum” com a extensão que possui: o bem social geral para todas as esferas da população. Não conheço na história alguma política realmente focada no bem-estar da sociedade como um todo. A doutrina marxista nos revela a teoria do materialismo histórico, ou seja, que a história da civilização é a história da luta de classes. Ao olhar friamente a história, vemos como os sistemas políticos implantados pelos homens tinham por finalidade favorecer os interesses de apenas uma classe, justamente aquela que estava no poder.
Porém, o marxismo deu ponto de partida a uma interessante linha de pensamento que contrária a essa tendência histórica. Resistindo aos inegáveis instintos imperialistas, talvez pela 1ª vez o ser humano foi capaz de pensar um sistema social focado no bem-comum de cada cidadão, estabelecendo uma verdadeira e sólida igualdade que pouco permite a exclusão social de um indivíduo. Se, na prática, essa política realmente trouxe isso aos seus habitantes, já é outra discussão, polêmica e extensa. Porém, é difícil negar, que a política proposta por Marx e Engels não tenha apresentado uma nova alternativa para um caminho que parecia apenas ter uma via.
Tendências nacionalistas também propuseram a busca pelo bem-comum social máximo de um povo, de uma nação. Mas nunca buscou o bem-comum geral daqueles fora de sua nação, ao passo que perseguiram grupos sociais que também compunham sua sociedade. A Alemanha nazista, por exemplo, a todo tempo buscou o bem geral dos alemães, formulando até uma rígida e imprescindível ordem que se justificava justamente por alegar buscar esse “bem-comum” para o seu povo. Ao mesmo tempo, confundiam esse conceito ao perseguir e eliminar qualquer que seja o grupo de indivíduos a parte daquilo que consideravam sua nação, realizando assim as atrocidades que cometeu.
Sociedades imperialistas também partiram de um pressuposto parecido. Países como Estados Unidos, França, Inglaterra, talvez tenham atingido um grau material que realmente trouxesse o bem-estar social de seu povo. Porém, esse bem-comum fora comprado com o suor de muitos outros povos que apenas assistiram sua ascensão, enquanto foram explorados. Mesmo nessas sociedades imperialistas, haviam classes, e o bem-estar comum é maior para cada qual.
Talvez a sociedade indígena, tão atrasada e pouco civilizada aos olhos europeus, seja aquela que tenha chegado mais perto de um bem-estar social comum. De forma alguma havia nela presente diferenças de classe do tamanho e proporção das quais sempre existiram na Europa. Seguindo uma mínima autoridade, ela foi capaz de alcançar a igualdade dentro de suas tribos. Mas, claro, que a tendência humana imperial não era negada a nenhum instante. Para eles, também, o bem-comum servia apenas para eles próprios: era constante a guerra entre tribos rivais, não existindo praticamente nenhuma conciliação em prol do bem-comum de ambas.
Então, ao rever diversos episódios marcantes da história, não se pode afirmar com clareza que o bem-comum seja a ordem na esfera política. Teoricamente, um dia, ela pode até ter sido. Mas na prática, a verdade é que poucas vezes isso foi realmente perseguido. Existiram sim sujeitos ideológicos que algum dia sonhara com isso. Mas por algum motivo, esses sonhos se esvaneceram nas páginas da história. E, quando o bem-comum existiu, certamente foi a custa de algum comum que não ficou nada bem com isso.

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